Quarta-feira, Abril 30, 2003
Meu namorado diz que a gente fica adulta quando pára de rir histericamente ou chorar copiosamente por conta de qualquer estímulo vindo de fora.
*
Eu já acho que a gente sabe que fica adulta quando tem que pagar a conta do dentista e do açougue a gente mesmo.
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Eu já acho que a gente sabe que fica adulta quando tem que pagar a conta do dentista e do açougue a gente mesmo.
Sexta-feira, Abril 25, 2003
Cabe a mim falar do que sinto?
E se o que sinto não cabe em mim?
*
Sou um apartamento de um cômodo só,
Entulhando agendas e caixas com lembranças que nunca abro.
Funciono por acumulação, e não por desbaste.
Nunca me lembro de nada, passa o tempo e eu não passo - indelével raça de pedras.
Eu não vou, eu não fui e provavelmente não irei.
*
*
*
Não cabe a mim. Porque não cabe em mim.
Uma incontinência do peito - não cabe, transborda.
Nada mais fica dentro; passa isso também. E ponto.
E se o que sinto não cabe em mim?
*
Sou um apartamento de um cômodo só,
Entulhando agendas e caixas com lembranças que nunca abro.
Funciono por acumulação, e não por desbaste.
Nunca me lembro de nada, passa o tempo e eu não passo - indelével raça de pedras.
Eu não vou, eu não fui e provavelmente não irei.
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Não cabe a mim. Porque não cabe em mim.
Uma incontinência do peito - não cabe, transborda.
Nada mais fica dentro; passa isso também. E ponto.
Terça-feira, Abril 22, 2003
O cenário que tenho dentro de mim é de cinco da tarde, um ponto de ônibus na frente de uma estação de trem em um país que não é o meu, ouvindo Somebody to Love em um walkman comprado na esquina duas horas antes. E não sinto solidão e não sinto nada a não ser vontade de cantar bem alto e então o ônibus não chega e nem vai chegar e o bar que vende chá de pêssego já está fechado e a única coisa que me sobra a fazer é ir voltando a pé pra casa e passar antes na sorveteria onde a atendente é muito mal-educada e destrata a gente sempre. Meu cenário é esse aí, sem vírgula ou ponto, derramado em algum lugar, onde as pessoas não passam mas as sombras das árvores alentam.
*
E falando em alento é bom saber que as coisas aqui dentro continuam florescendo, embora não sejam faladas ou mostradas ou gritadas. Pela boca morreu o peixe, me disseram, e eu tinha medo que não falando e não gritando e não mostrando o que eu sinto morresse também. Mas não morre.
*
Eu sou um banco sem praças em volta.
*
E falando em alento é bom saber que as coisas aqui dentro continuam florescendo, embora não sejam faladas ou mostradas ou gritadas. Pela boca morreu o peixe, me disseram, e eu tinha medo que não falando e não gritando e não mostrando o que eu sinto morresse também. Mas não morre.
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Eu sou um banco sem praças em volta.
Segunda-feira, Abril 21, 2003
Essa mulher é a melhor. A melhor.
*
AHI MI AMOR
(cantado por ela, Mina)
Lo negherò sempre perfino con Dio che a volte il pensiero vagando di suo
ritorna a cercarti esulta al ricordo, poi torna a sfinirmi cattivo e testardo.
E penso alla notte che sola dormivo e tu pur sapendo che sola morivo,
chissà da che braccia non sei più tornato e allora mi dico non mi hai mai amato.
E canta il cuore non era amore.
Ahi, mì amor di quella nostra storia io,
Ahi, mì amor non capirò mai niente
Ahi, mì amor con questo dubbio resterò, tutta la vita non saprò
se mi hai amato oppure no.
Ricordo Dicembre la neve la gente, e tu che nel traffico lento, irritante
bloccando la strada hai spento il motore per dirmi "mi vedi io muio d’amore".
I clacson suonavano come impazziti, noi fuori dal mondo ci siamo baciati,
neppure a tre ore da quel capodanno a cui non venisti giocando d’inganno.
E insinua il cuore non era amore.
E poi lunghi mesi in cui stavo male, in cui non sapevo dormire o pregare
diceva il dottore è lei che lo vuole c’è un filo diceva tra mente ed il cuore
E allora di colpo ti ho visto vicino, la notte ed il giorno un lungo cammino
E quando ho ripreso a sorridere ancora ho girato la testa ma ero già sola.
E insiste il cuore non era amore.
Ahi, mì amor di quella nostra storia io,
Ahi, mì amor non capirò mai niente
Ahi, mì amor con questo dubbio resterò, tutta la vita non saprò
se mi hai amato oppure no.
Domingo, Abril 20, 2003
Sigo então com os olhos fixos no pra lá de mim
Tentando esquecer o que mora aqui dentro
Pois por morar cá dentro já não vive; habita
E habitar não é o bastante, agora.
Andemos pois com passos firmes e leves
Mãos emaranhadas nos cabelos um do outro;
Tampouco carregas dentro nada que não seja fora -
Por isso te amo a cada dia um pouco mais.
E toda essa tua coragem reside na flor cor de violeta
Que viverá por todos os séculos e séculos amém.
Domingo, Abril 13, 2003
E entre pêssegos e uvas brancas e lamparinas que não acendem e desafinos e ciuminhos e perfumes e risadas hoje vai ser pra sempre madrugada, hoje vai ser pra sempre vermelho, hoje eu vou te amar pra sempre.
*
Pra sempre, beibe, hoje eu sou tua pra sempre.
Love you.
*
Pra sempre, beibe, hoje eu sou tua pra sempre.
Love you.
Sábado, Abril 12, 2003
E, tá. Alguém por favor me diz por que estou com um baita sorriso na cara
e uma vontade de chorar filha da puta?
*
Obrigada.
*
Nunca mais?
Obrigada.
hehe.
So, using my time machine
Cacete, que absurda diferença
E não, não me diga pra não fazê-lo.
*
Tá. Já passou.
Ow. Lembra, o Saint-Éxupery falou.
Mas tá, e enão, problema seu. Totalmente seu.
Hahahahahahahaha.
*
Tanta coisa pra dizer.
Não, obrigada. Não vou falar.
I wasn´t there at the time. I went alone.
*
GOD.
*
Am I?
Am I?
Don´t know. Don´t guess so.
*
EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE.
*
Sorry.
Cacete, que absurda diferença
E não, não me diga pra não fazê-lo.
*
Tá. Já passou.
Ow. Lembra, o Saint-Éxupery falou.
Mas tá, e enão, problema seu. Totalmente seu.
Hahahahahahahaha.
*
Tanta coisa pra dizer.
Não, obrigada. Não vou falar.
I wasn´t there at the time. I went alone.
*
GOD.
*
Am I?
Am I?
Don´t know. Don´t guess so.
*
EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE.
*
Sorry.
Sexta-feira, Abril 11, 2003
DA SÉRIE:
DIÁLOGOS FREAK-TÍCIOS
ENTRE MIM E MIM MESMA. PARTE 2.
(Com a inestimável colaboração de Annie Lennox e os Tribalistas -
me faltam palavras nessa hora)
I used to be a lunatic from the gracious days, I used to be woebegone and so restless nights.
My aching heart would bleed for you to see. Oh, but now I don't find myself bouncing home
Whistling buttonhole tunes to make me cry.
E a gente canta e a gente dança e a gente não se cansa de ser criança
E a gente brinca na nossa velha infância.
No more I love yous, the language is leaving me, no more I love yous, the language is leaving me in silence.
No more I love yous, changes are shifting outside the words.
Eu gosto de você e gosto de ficar com você, meu riso é tão feliz contigo, meu melhor amigo é o meu amor.
I used to have demons in my room at night.
Desire, despair, desire, so many monsters.
Oh, but now I don't find myself bouncing around whistling my conscience to make me cry.
Só você que invadiu o centro do espelho.
Ninguém mais deita no meu leito e se demora.
And people are being real crazy but we will only come
And you know what mommy? Everybody was being real crazy
The monsters are crazy. There are monsters outside. Outside the words.
O amor é isso, tem cara de bicho. O amor é feio, tem cara de vício. O amor é graça, ele dá e passa.
Quarta-feira, Abril 09, 2003
Abri a porta e antes de entrar
revi a vida inteira
*
Quem sabe isso quer dizer amor
estrada de fazer o sonho acontecer
*
Mas se você quiser transformar
o ribeirão em braço de mar
Você vai ter que encontrar onde nasce a fonte do ser
(Milton Nascimento)
Talvez tudo o que tenho de mim caiba mesmo dentro de um par de botas. Isso pode explicar a minha paixão por elas - talvez o conforto quentinho, a sensação de segurança. Mas é mais provável que seja a sensação de finalmente continente que mais me atrai.
*
Dentro das botas, nada além de braços quase que ridiculamente abertos de tão escancarados, tentando absorver um pouco mais de conteúdo para de novo não conseguir sentir dentro de um continente fictício. Irreal. Onírico, quem sabe, lúdico, não-tácito. Um pouco mais de coisinhas pra colocar na caixa mágica de Pandora. Aquela que sempre se esquece de se fechar muito bem, muito bem, e se abre todo começo de noite e se perde tudo de novo - mas ficou alguma coisa, não ficou? Não sei, o medo fecha a caixinha rapidamente e vai dormir sem olhar lá dentro.
Domingo, Abril 06, 2003
Sonhei que me matavam jogando palavras na minha cabeça.
Antes de morrer ainda tentava falar, mas minha garganta ficou fechada por muito tempo.
Quando consegui, não adiantou - quem me matava era surdo (ou a música de fundo era muito alta).
*
Antes de morrer ainda tentava falar, mas minha garganta ficou fechada por muito tempo.
Quando consegui, não adiantou - quem me matava era surdo (ou a música de fundo era muito alta).
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Terça-feira, Abril 01, 2003
Então, sabe a novidade?
A novidade é que tanto faz.
Realmente.
Tanto faz.
*
Aquelas palavras todas vieram até a garganta
e eu engoli. Mesmo.
E veja só, não ruminei.
E não tive borboletas no estômago nem nada.
Um revés de bulimia - engoli, e pronto.
Até esperei pela reação adversa - e nada.
Nada, nada, olha só.
A simples prova de que minhas palavras têm o efeito de um floral de Bach vagabundo.
*
Se ainda tivessem o efeito do conhaque...
*
Não mataram a sede, não me deixaram louquinha, não pesaram nem nada.
*
Uh.
*
E, creia-me. Olhei bem dentro, prescrutei o papiro, ali, cara a cara.
E meus olhos - rá - não estavam ali.